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terça-feira, 12 de novembro de 2019

Carta de um Ciclista Apaixonado... Por quem??

Robert Marchand Ciclista que pedalou até os 106 anos
Meu amor, eu vou pedalar novamente e vejo nos teus olhos a censura calada de te deixar sozinha....
Não me julgue, não é que eu não queira estar com você, gostaria que você viesse também, mas sei que você não gosta e te respeito, mas sei que por mais que insista em tentar compreender a ânsia que me embarga ao ir pedalar, você nunca ira entender...

É que eu sinto na alma esse amor pelo espaços abertos, pelo vento no rosto, a fadiga e a aventura.

Preciso de um lugar distante, com água e vento, quero sujar-me, descuidar do meu aspecto, sentir o cansaço, que o sol queime o meu rosto, ou passe frio.

Eu quero ver um rio, o mar, plantas, animais, flores silvestres, gelo, lama, pedras...

Quero sentar e rir com meu parceiro de pedal, quero sentir saudades e te imaginar esperando carinhosa o meu retorno.

Eu me sinto e digo que esta será a melhor pedalada que eu vá realizar na minha vida...

Embora saiba que na próxima eu voltarei a me dizer o mesmo...

E já no caminho...estou feliz...e hipnotizado...é uma paz única.

As vezes sinto que nasci em época errada, onde o triunfo do homem é medido em plástico de cartões de crédito, onde o frio se regula com um termostato e o calor do verão não existe ao ligar o ar condicionado.

Eu nasci em épocas de traições e lutas por uma conta de banco, onde tudo se compra e vende-se.

Mas quando eu subo na minha bicicleta, meu amor, eu me afasto desse mundo de buzinas, de escapes venenosos, me afasto do conforto, do luxo e da televisão que idiotiza.

Eu posso aceitar as regras do jogo, eu sou civilizado o suficiente pra conviver neste espaço de loucos, mas deixa eu escapar um pouco.

Eu amo as bicicletas e suas rodas porque são o brinquedo que me transportam para esse grande jogo que é sair pedalar, eu peço que não a veja como um artefato que possa me tirar a vida, como um instrumento de morte, porque o são de vida...

Nunca me sinto mais vivo do que quando eu subo na minha bicicleta.

É verdade que quando eu não puder mais fazê-lo, estarei por ai sentado ao sol, onde me coloquem as carinhosas mãos de nossos filhos ou as suas, e um sorriso distante ira se desenhar nos meus lábios secos, estarei lembrando de alguma rota, pois a velhice é inevitável.

E se você me ver doente, abatido e sozinho, entediado na minha cadeira, coloque em minhas mãos esse capacete, velho e gasto, ao tocá-lo e sentir suas formas eu e esse velho parceiro, tentaremos recuperar na memória, os momentos já idos...

🚴‍♂(Autor desconhecido)

Foto meramente ilustrativa

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