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terça-feira, 5 de abril de 2016

Papo de Ciclista

Vendo uma postagem na net sobre a falta de opções de tipos de bicicletas que temos no país, achei interessante um debate de dois amigos nos comentários da postagem e trouxe para que a gente pensasse um pouco sobre a questão.

Variedade de bicicletas no Brasil é escassa

Daniel
O mercado nacional está padronizado. Hoje vende-se um tipo de bicicleta para todo mundo. De preferência mountain bike e agora com a modinha do aro 29 e freio a disco. Nada contra, acho demais. Mas 1/3 dos consumidores dessas bikes não precisam de uma bicicleta aro 29 e não sabem que o freio a disco nasceu originalmente para fazer trilhas. Detalhe: só fazem bikes aro 29 com freio a disco. Mais uma sacada do mercado, padronizou tudo. A manutenção de freios assim é bem mais cara.

Antigamente, haviam bikes de todos tipos, gostos, bolsos e necessidades. Hoje tem mais do nunca, o capitalismo selvagem, o modismo do momento e as pessoas que compram aquilo que é imposto pelo mercado. Claro dá para buscar bikes determinadas, específicas, principalmente pela internet, mas são importadas e assim, mais caras.

Luciano
É indiscutível que quem vende e fabrica bicicleta aqui no Brasil está em dissincronia com o mercado. O problema é que, fora isso, o mercado (= consumidores) não tem a mínima idéia do que precisa. Por exemplo, vamos analisar uma bicicleta que você conhece bem, a Caloi City Tour. Baita bike, custo razoável - para o meu bolso - e excelente para ciclomobilidade nas ruas e ciclovias de Curitiba e São Paulo. Mas saia das cidades servidas por ciclovia (e certamente que você concorda comigo que as nossa malha cicloviária é no mínimo sem-vergonha em extensão e qualidade), e aí a estória muda. Moro a 25 km de Curitiba, em uma cidade pequena, e aqui o pavimento, sendo educado, é uma lástima. Já tive bike "urbana", mas não tinha condições de aguentar o tranco. Hoje uso uma mountainbike para o trabalho, grande, pesada, pouco ágil e com freios a disco, porque é a única que tem condições de me carregar com (relativo) conforto. Pedalo a mais de 30 anos, tenho 4 bicicletas (entre mountain e ciclocross), e adoraria ver (e ter!) bikes "urbanas" decentes pelas ruas, mas não dá. O mercado brasileiro, por causa da infra-estrutura de 5º mundo, população ignorante (tanto motoristas, pedestres e ciclistas) precisa de bicicletas tipo Barra Forte mesmo. 

A população de ciclistas se divide em dois greandes grupos. Os entusiastas, aqueles que realmente gostam de pedalar, seja por esporte, lazer, convição ecológoica ou até os que entraram na moda da bike, e os que precisam pedalar para se locomover. Eu e você estamos no primeiro grupo, mas de cada 100 ciclistas na rua, quantos são iguais a nós? Vinte? 10? A indústria (fábricas e lojas) não oferece muito para nenhum dos dois grupos, e consequentemente, todo mundo se vira com o que consegue, com pouquíssima opções. Por exemplo, é fácil achar uma bike de estrada de mais de R$ 20000,00, mas tente achar uma decente o suficiente para treino e/ou competições por menos de R$ 3000,00. E virando a moeda, tente achar uma urbana que suporte a realidade de nossas ruas e ciclovias por menos de R$ 500,00.


Acho muito difícil essa situação mudar se o poder público não educar a população e não melhorar a infra-estrutura. Além disso, a indústria tem de aprender que não estamos na Europa, não adianta só oferecer bicicleta de alto padrão e totalmente esquecer da esmagadora maioria que pedala por esse país

Daniel
Concordo em parte amigo. Sim, nossa estrutura precária, mesmo nas cidades que pensam em ciclismo urbano, precisam de bikes mais fortes. O problema, é que nem bicicleta tipo barra forte você encontra no mercado. As mountain bikes são o padrão para tudo. Para nós homens, tudo bem. Dá-se um jeito. Também uso mountain para a cidade. Pego buracos e sigo meu caminho. Mas pensando de forma coletiva, acabou a época em que o mercado nacional adequava a bicicleta acessível financeiramente à mulher e à criança, de forma significativa. Hoje temos a bike fit, temos a internet, a importação que dá para a pessoa correr atrás exatamente do que quer, mas isso é para poucos, encarece demais a bicicleta. O mercado nacional está taxativo para os consumidores comuns. Muita gente andando de bicicleta errada, umas sofisticadas de mais outras de menos, ambas fugindo da real necessidade do (a) ciclista.

É isso aí!

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