Veja, por exemplo, este material sobre dicas para o momento em que você vai estacionar a sua bicicleta.
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quarta-feira, 10 de junho de 2015
Seja educado ao estacionar sua bicicleta
A ONG Transporte Ativo tem um banco de dados bem interessante de pesquisas, estudos, vídeos etc. Entre estes, há produções de materiais educativos que mostram benefícios da bicicleta, iniciativas em prol da mobilidade ciclística e dicas para os próprios ciclistas.
Veja, por exemplo, este material sobre dicas para o momento em que você vai estacionar a sua bicicleta.
Fonte: http://www.ta.org.br/
Veja, por exemplo, este material sobre dicas para o momento em que você vai estacionar a sua bicicleta.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
II ENCONTRO BREJO-BIKE ECOLÓGICO
O "II ENCONTRO BREJO-BIKE ECOLÓGICO" será realizado em Brejo da Madre de Deus no dia 21/06/2015, e o nosso amigo Laércio convida a todos os amigos do pedal para se fazerem presentes e participar desta aventura que vai atravessar a a mata atlântica em direção ao mirante que está localizado a uma altitude aproximada de mais de 1000m a cima do nível do mar.
Este evento é sem fins lucrativos, pois será um passeio onde os amigos ficarão a vontade sem se preocupar com tempo ou distância.
Valendo lembrar que é um trecho de muitas subidas, mas que no final vale a pena, por se tratar de uma região privilegiada e com lugares lindos.
A intenção principal deste pedal é passar na Mata do Biturí que à tempos atrás sofreu um incêndio, e realizar o plantio de mudas nativas (os participantes podem trazer também suas sementes).
Abaixo vemos imagens de alguns trechos que serão percorridos
Banho de piscina e muita alegria ao lado dos muitos amigos que se farão presentes.
A seguir imagens do nosso pedal realizado em 26/03/2012 que você pode conferir a cobertura completa do pedal AQUI.
Lembramos que, quem quiser ir no sábado terá alojamentos para os ciclistas.
Concentração às 06:00 Saída as 07:00
Realização: Laércio.
Maiores informações você tem com o mesmo através dos fones: Tim (81)96424976 Claro (81)94974606, ou comigo mesmo no (81) 9159-8682. Também dispomos dos e-mails para contato: laercio.brejo@hotmail.com e melkleao@msn.com.
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| Imagem do Mirante |
Valendo lembrar que é um trecho de muitas subidas, mas que no final vale a pena, por se tratar de uma região privilegiada e com lugares lindos.
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| Percurso a ser percorrido |
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| Imagem do Incêndio |
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| Trechos do percurso |
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| Banhos de bica |
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| Turma unida |
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| Belas imagens |
Banho de piscina e muita alegria ao lado dos muitos amigos que se farão presentes.
A seguir imagens do nosso pedal realizado em 26/03/2012 que você pode conferir a cobertura completa do pedal AQUI.
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| Animação |
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| Descontração |
Lembramos que, quem quiser ir no sábado terá alojamentos para os ciclistas.
Concentração às 06:00 Saída as 07:00
Realização: Laércio.
Maiores informações você tem com o mesmo através dos fones: Tim (81)96424976 Claro (81)94974606, ou comigo mesmo no (81) 9159-8682. Também dispomos dos e-mails para contato: laercio.brejo@hotmail.com e melkleao@msn.com.
terça-feira, 2 de junho de 2015
Ciclismo ajuda a brecar avanço do colesterol
Exercícios aeróbicos, como ciclismo, com frequência adia em até 15 anos o aumento de gordura ruim no sangue
Que pedalar faz bem para a saúde, a maioria das pessoas já sabe. O que ainda não se tem a medida exata é o quão benéfico pode ser para o corpo utilizar a bicicleta com frequência. Assim, cada vez mais estudos surgem com o objetivo de mesurar as benesses do ciclismo. Um dos mais recentes, publicado no Jornal da Associação Americana de Cardiologia, verificou que realizar exercícios aeróbios (como correr e pedalar) com frequência pode adiar em até 15 anos o aumento natural dos níveis de colesterol que ocorre por conta do envelhecimento.
Tendo como base dados de 11,5 mil norte-americanos saudáveis coletados ao longo de 35 anos, a pesquisa analisou índices como colesterol total, colesterol ruim (LDL, que entope as artérias), colesterol bom (HDL, que impede o depósito de gordura nas artérias) e triglicérides. As informações foram divididas por idade e por capacidade respiratória (baixa, média e alta).
Os participantes que mantinham exercícios aeróbios (pedalar e correr) com frequência registraram altos níveis de colesterol e baixos níveis de colesterol ruim até os 45 anos. Por outro lado, aqueles que não praticavam exercícios aeróbios em sua rotina registraram colesterol ruim a partir dos 30 anos e níveis anormais de colesterol bom já aos 20 anos.
A meia idade é considerada uma fase crítica no que diz respeito ao nível de colesterol. Isso porque é nessa época que são registrados os índices mais altos de colesterol no sangue. No organismo, o colesterol tem funções essenciais, como produção de hormônio e vitamina D. O excesso, no entanto, é prejudicial, porque aumenta o risco de doenças cardiovasculares.
Fonte: prologo, por felipe queiroz
Que pedalar faz bem para a saúde, a maioria das pessoas já sabe. O que ainda não se tem a medida exata é o quão benéfico pode ser para o corpo utilizar a bicicleta com frequência. Assim, cada vez mais estudos surgem com o objetivo de mesurar as benesses do ciclismo. Um dos mais recentes, publicado no Jornal da Associação Americana de Cardiologia, verificou que realizar exercícios aeróbios (como correr e pedalar) com frequência pode adiar em até 15 anos o aumento natural dos níveis de colesterol que ocorre por conta do envelhecimento.
Tendo como base dados de 11,5 mil norte-americanos saudáveis coletados ao longo de 35 anos, a pesquisa analisou índices como colesterol total, colesterol ruim (LDL, que entope as artérias), colesterol bom (HDL, que impede o depósito de gordura nas artérias) e triglicérides. As informações foram divididas por idade e por capacidade respiratória (baixa, média e alta).
Os participantes que mantinham exercícios aeróbios (pedalar e correr) com frequência registraram altos níveis de colesterol e baixos níveis de colesterol ruim até os 45 anos. Por outro lado, aqueles que não praticavam exercícios aeróbios em sua rotina registraram colesterol ruim a partir dos 30 anos e níveis anormais de colesterol bom já aos 20 anos.
A meia idade é considerada uma fase crítica no que diz respeito ao nível de colesterol. Isso porque é nessa época que são registrados os índices mais altos de colesterol no sangue. No organismo, o colesterol tem funções essenciais, como produção de hormônio e vitamina D. O excesso, no entanto, é prejudicial, porque aumenta o risco de doenças cardiovasculares.
Fonte: prologo, por felipe queiroz
Namore uma mulher que pedala
Dedicado este texto para todas as mulheres e todos os homens que têm o privilégio de ter uma mulher que pedala ao seu lado.
Feliz é o homem que tem uma grande mulher ao seu lado todos os dias!
Ela jamais achará estranho se você não está nem aí para um automóvel ou se a sua bike vale mais que um veículo motorizado.
Ela jamais irá estranhar se vocês irem juntos em um hotel de bicicleta. Na verdade, vai adorar causar com você para com as pessoas que acham isso estranho.
Ela não vai te chamar de louco se você chegar na casa dela após 150 km de pedal, mas sim morrer de desejo, pois ela provavelmente relacionará isso ao seu desempenho físico.
Ela dificilmente irá ter gosto de cigarro na boca, pois sabe tão bem quanto você a importância do fôlego na bike.
Ela sabe que você a acha linda, seja com as maquiagens mais caras ou com a lama da trilha na cara.
Ela não vai se importar se você chegar sujo de barro ou suado em casa, pois provavelmente ela vai estar igual a você.
Ela não vai ter nojinho de te beijar suado e sujo de terra, se ela também estiver assim, certamente este será um dos beijos mais apaixonantes que você terá.
Ela nunca vai ter ciúmes da bicicleta, pois ela também terá uma e esse será um dos elos do amor de vocês.
Ela dificilmente irá frequentar uma academia, mas ainda assim terá um corpo incrível e mais tempo para você do que uma mulher comum.
Ela raramente irá fazer com que você fique horas esperando a escolha de roupas e sapatos em um Shopping, mas certamente irá babar pelas mesmas coisas que você em uma Bike Shop.
Ela jamais vai te proibir de deixar entrar com a bike dentro de casa, pois sua bicicleta fará companhia para a dela em um cantinho do quarto ou da varanda.
Ela não vai encarar a cerveja como uma simples socialização com pessoas, mas sim como um troféu após um longo dia de pedal duro com você.
Ela não vai se importar com suas cicatrizes no primeiro encontro, pelo contrário, vai provavelmente também mostrar as delas para você.
Ela não vai te xingar ou mandar você vender a bike após um tombo; ela vai rir com você, se orgulhar do seu feito e saberá como ninguém cuidar dos seus ferimentos.
Ela é a pessoa perfeita para ser mãe dos seus filhos, pois ao invés dela criticá-lo por levar seu pequeno para pedalar, vai incentivá-lo a pedalar junto com vocês.
Ela é a pessoa que sabe que só você a entende.
Fonte: Revista Bicicleta por Álvaro Perazzoli
Feliz é o homem que tem uma grande mulher ao seu lado todos os dias!
Ela jamais achará estranho se você não está nem aí para um automóvel ou se a sua bike vale mais que um veículo motorizado.
Ela jamais irá estranhar se vocês irem juntos em um hotel de bicicleta. Na verdade, vai adorar causar com você para com as pessoas que acham isso estranho.
Ela não vai te chamar de louco se você chegar na casa dela após 150 km de pedal, mas sim morrer de desejo, pois ela provavelmente relacionará isso ao seu desempenho físico.
Ela dificilmente irá ter gosto de cigarro na boca, pois sabe tão bem quanto você a importância do fôlego na bike.
Ela sabe que você a acha linda, seja com as maquiagens mais caras ou com a lama da trilha na cara.
Ela não vai se importar se você chegar sujo de barro ou suado em casa, pois provavelmente ela vai estar igual a você.
Ela não vai ter nojinho de te beijar suado e sujo de terra, se ela também estiver assim, certamente este será um dos beijos mais apaixonantes que você terá.
Ela nunca vai ter ciúmes da bicicleta, pois ela também terá uma e esse será um dos elos do amor de vocês.
Ela dificilmente irá frequentar uma academia, mas ainda assim terá um corpo incrível e mais tempo para você do que uma mulher comum.
Ela raramente irá fazer com que você fique horas esperando a escolha de roupas e sapatos em um Shopping, mas certamente irá babar pelas mesmas coisas que você em uma Bike Shop.
Ela jamais vai te proibir de deixar entrar com a bike dentro de casa, pois sua bicicleta fará companhia para a dela em um cantinho do quarto ou da varanda.
Ela não vai encarar a cerveja como uma simples socialização com pessoas, mas sim como um troféu após um longo dia de pedal duro com você.
Ela não vai se importar com suas cicatrizes no primeiro encontro, pelo contrário, vai provavelmente também mostrar as delas para você.
Ela não vai te xingar ou mandar você vender a bike após um tombo; ela vai rir com você, se orgulhar do seu feito e saberá como ninguém cuidar dos seus ferimentos.
Ela é a pessoa perfeita para ser mãe dos seus filhos, pois ao invés dela criticá-lo por levar seu pequeno para pedalar, vai incentivá-lo a pedalar junto com vocês.
Ela é a pessoa que sabe que só você a entende.
Fonte: Revista Bicicleta por Álvaro Perazzoli
Dicas para ciclistas iniciantes
Como pedalar em segurança nas ruas? Um ciclista iniciante, muitas vezes, não conhece os pontos principais da Lei e, por isso, também desconhece seus deveres e direitos.
Queremos que você ocupe a sua cidade de maneira segura para si próprio, outros ciclistas, pedestres e carros. Já começamos, então, puxando a orelha de quem faz errado. O Código de Trânsito Brasileiro tem algumas regras valiosas para os motoristas que também valem para os ciclistas.
O ideal, ao pedalar, é ficar à direita – e, em caso de trânsito intenso, pode sim ultrapassar (Art. 211). Jamais pedale sobre a faixa de pedestres; não vá na contramão das ruas – o Art. 58 define que a bike deve ir no mesmo sentido dos carros. “Muitos acham que duas coisas são melhores: pedalar na contramão e ficar muito próximo à guia. Na contramão, você vai no contrafluxo de trânsito, e o motorista não espera um objeto na contramão”, explica JP, idealizador do Bike Anjo.
JP, criador do Bike Anjo, Andrea e Renata Falzoni. Os Bike Anjos auxiliam e dão dicas para quem quer começar a pedalar na cidade. Foto: Andrea Onishi
E vale insistir na lembrança sobre o posicionamento na faixa: “Pedimos para cobrir metade da faixa para o motorista não pressionar ultrapassagem”, diz.
Vale lembrar também pequenos detalhes essenciais aos iniciantes. “O caminho do ciclista não é igual ao do carro ou ônibus, na maioria dos casos. Aí quem está começando nos pergunta como descer a Av. Rebouças, e explicamos que há caminhos alternativos, muito mais agradáveis e com tráfego de carro menos intenso”, explica JP.
Outro ponto ressaltado pelo experiente ciclista é a comunicação e visibilidade no trânsito. “É você insinuar o que vai fazer no trânsito. Eu, por exemplo, tenho menos problemas com motoristas e mais com buracos. Se tenho que desviar, preciso sinalizar com as mãos que estou desviando para direita ou esquerda. Isso é muito importante para o ciclista não correr nenhum risco”, alerta JP.
E você, que pensa ou está começando a pedalar nas cidades, saiba que é mesmo traumático começar a ser ciclista sozinho. “Não temos cultura de pedalar sozinhos. A melhor coisa é não começar diretamente na rua. Pedale na CicloFaixa ou participe de grupos de pedal, como a Bicicletada”, sugere JP. “É um ótimo exercício, você conhece pessoas e torna o começo muito mais agradável do que ir direto para a rua no trânsito”. Além disso, para quem é da cidade de São Paulo, nós indicamos a Oficina Aprendendo a Pedalar, que é um projeto realizado pelo próprio Bike Anjo e pode ajudar muito quem quer começar e ainda não sabe andar de bike.
Oficina Aprendendo a Pedalar, para aqueles que ainda não sabem ou são inseguros na hora de pedalar.
Fonte: movimentoconviva.com.br
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| Foto: Upslon |
O ideal, ao pedalar, é ficar à direita – e, em caso de trânsito intenso, pode sim ultrapassar (Art. 211). Jamais pedale sobre a faixa de pedestres; não vá na contramão das ruas – o Art. 58 define que a bike deve ir no mesmo sentido dos carros. “Muitos acham que duas coisas são melhores: pedalar na contramão e ficar muito próximo à guia. Na contramão, você vai no contrafluxo de trânsito, e o motorista não espera um objeto na contramão”, explica JP, idealizador do Bike Anjo.
JP, criador do Bike Anjo, Andrea e Renata Falzoni. Os Bike Anjos auxiliam e dão dicas para quem quer começar a pedalar na cidade. Foto: Andrea OnishiE vale insistir na lembrança sobre o posicionamento na faixa: “Pedimos para cobrir metade da faixa para o motorista não pressionar ultrapassagem”, diz.
Vale lembrar também pequenos detalhes essenciais aos iniciantes. “O caminho do ciclista não é igual ao do carro ou ônibus, na maioria dos casos. Aí quem está começando nos pergunta como descer a Av. Rebouças, e explicamos que há caminhos alternativos, muito mais agradáveis e com tráfego de carro menos intenso”, explica JP.
Outro ponto ressaltado pelo experiente ciclista é a comunicação e visibilidade no trânsito. “É você insinuar o que vai fazer no trânsito. Eu, por exemplo, tenho menos problemas com motoristas e mais com buracos. Se tenho que desviar, preciso sinalizar com as mãos que estou desviando para direita ou esquerda. Isso é muito importante para o ciclista não correr nenhum risco”, alerta JP.
E você, que pensa ou está começando a pedalar nas cidades, saiba que é mesmo traumático começar a ser ciclista sozinho. “Não temos cultura de pedalar sozinhos. A melhor coisa é não começar diretamente na rua. Pedale na CicloFaixa ou participe de grupos de pedal, como a Bicicletada”, sugere JP. “É um ótimo exercício, você conhece pessoas e torna o começo muito mais agradável do que ir direto para a rua no trânsito”. Além disso, para quem é da cidade de São Paulo, nós indicamos a Oficina Aprendendo a Pedalar, que é um projeto realizado pelo próprio Bike Anjo e pode ajudar muito quem quer começar e ainda não sabe andar de bike.
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| Foto: divulgação/Bike Anjo |
Fonte: movimentoconviva.com.br
Eu sou ciclista - Uma carta aos motoristas
Zarela Díaz mora em Recife e utiliza a bicicleta como meio de transporte na capital pernambucana. Ela escreveu esta carta como um desabafo por uma situação de desrespeito que sofreu no trânsito.
Motorista, eu sou ciclista.
Quando passo ao seu lado no trânsito conturbado e nervoso, frágil e vulnerável sobre duas rodas, lembre-se de que eu represento um carro a menos rodando naquela via, sou uma pessoa a menos ocupando nossos ônibus superlotados, sou uma criatura a menos a poluir o planeta onde seu filho vai crescer.
Tenha paciência comigo, não posso ser tão veloz como o seu veículo, meu motor são minhas pernas.
Você alguma vez já experimentou ir para o trabalho de bicicleta num dia útil? Não há vias exclusivas para mim – pelo menos, não nos dias úteis -, e, acredite, a grande maioria de vocês, condutores, não nos respeita, passa raspando, tira fino, faz gracinha. Eu tento me proteger - quando percebo que alguém vem numa velocidade muito alta, simplesmente paro um pouco ao lado do acostamento e espero que esse alguém passe para continuar meu caminho em segurança.
Preste atenção, motorista, eu não sou invisível. Abra os olhos e seu coração, me enxergue. Eu sou de carne e osso, tenho família como você, tenho gente que me espera em casa. Optei pela bicicleta porque gosto de liberdade e de vida saudável, além de que cansei de ficar horas presa dentro de um carro, perdendo tempo, perdendo vida.
Todos os dias, quando saio de casa, sinto a apreensão do meu marido, que pede para eu ter cuidado. Ele sabe que não adianta insistir – sou como um passarinho que não aceita limites.
Posso pedir uma coisa? Sinalize toda vez que você for entrar numa rua qualquer. Eu também dirijo automóvel e sei que não custa nada ligar a seta. É um gesto simples que faz toda a diferença para o ciclista e para o pedestre na hora de atravessar uma rua - ocasionalmente você também é pedestre, não?
Há alguns dias, uma camionete preta ia me atropelando na Rua da Lama. O homem ao volante cruzou na minha frente para entrar à esquerda, como se eu pudesse me desintegrar por alguns segundos para que ele, senhor absoluto da rua, pudesse passar. Atrás dele, gritei um xingamento, indignada. Sabe o que ele tinha adesivado em letras grandes no seu vidro traseiro? “Tem coisas que só Jesus faz”.
Zarela Díaz
Fonte: Revista Bicicleta por Zarela Díaz
Dilma anda de bicicleta nos arredores do Palácio da Alvorada, em Brasília
Pedalando uma bicicleta preta, a presidenta passou por hotéis próximos ao Palácio da Alvorada, na orla do Lago Paranoá, e voltou a entrar na residência oficial pela porta lateral. Ela conseguiu passar despercebida por turistas que visitavam o local.
Fonte: ultimosegundo.ig.com.br
Aplicativo transforma celular em ciclocomputador portátil
A Topeak desenvolveu um aplicativo que vai mudar a vida do ciclista: o PanoBike, especialmente desenvolvido para transformar o smartphone em um ciclocomputador. Gratuito, ele está disponível para diferentes tipos de smartphones. Para fazer download, basta acessar as lojas AppStore, para sistema iOS, e Google Play, para Android.
Veja algumas características do PanoBike:
Durante o treino
A ideia é oferecer ao ciclista amador ou profissional um ciclocomputador portátil com o máximo de informações possíveis. Entre as funções, o PanoBike calcula a velocidade do ciclista, distância, tempo, grau, altitude, calorias queimadas, cadência, frequência cardíaca, além de predefinir alarmes ao atingir a frequência cardíaca e a cadência máxima do pedal. Tudo resumido e disponível na tela do celular.
Localização
Além de habilitar a visão satélite do GPS na tela do smartphone, o PanoBike vai utilizá-lo de uma maneira ainda mais efetiva. O aplicativo armazena a rota que o ciclista realizou para que no dia seguinte ele possa fazer o mesmo trajeto. Um rastreamento da rota em tempo real na mão de quem está pedalando.
Música
Música faz parte do pedal, seja treino ou diversão. Por isso, o PanoBike disponibiliza uma ferramenta que reproduz as músicas do smartphone pelo próprio aplicativo. Sem precisar pegar o celular, ele tem uma ferramenta que para a reprodução quando o biker recebe uma ligação e volta automaticamente quando desliga.
Pós-treino
O ciclista poderá conferir todo o histórico do pedal por meio de dados como distância, velocidade média e máxima, cadência, tempo total e calorias queimadas. Com os acessórios certos, ele ainda verá sua frequência cardíaca, altitude e gráficos de velocidade do pedal. Como o PanoBike é vinculado à câmera do celular, o biker terá as fotos que tirou durante o passeio e ainda poderá compartilhá-las nas redes sociais.
Acessórios
Além do aplicativo, a Topeak conta com uma linha de produtos PanoBike que vão garantir o máximo da capacidade. Itens como o monitor cardíaco PanoBike Heart Rate Monitor, para acompanhar os batimentos, e o sensor PanoBike Speed & Cadence Sensor, que vai próximo à roda da bicicleta para medir a cadência e RPM durante o pedal.
Além desses itens, o suporte para celular da Topeak, acoplado no guidão, vai facilitar a vida do ciclista ao manusear o celular. Uma linha completa que combina tecnologia e esporte que vai oferecer um ciclocomputador completo e portátil a todos que pedalam.
Fonte: Seppia Geração de Conteúdo
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Mulher e Bicicleta - Nem sempre foi assim...
“Então as mulheres serão emancipadas pelo ciclismo?” - perguntou Pierre. “Bem, porque não? Parece uma ideia tola, mas veja o progresso que já tem sido feito. Pelo uso racional mulheres libertam seus membros da prisão; então as facilidades as quais o ciclismo possibilita para que pessoas estejam juntas tendem a aumentar a relação e igualdade entre os sexos; a esposa e as crianças podem seguir o marido onde for, e gostam de como podem se sentir livres e vaguear sem incomodar ninguém. Nesse sentido, há grande vantagem para todos: uma toma banho de ar e da luz do sol, outra busca a natureza, a terra, nossa mãe em comum, de onde deriva a força e a alegria do coração. E como a brisa infla nossos pulmões! Sim, isso tudo purifica, acalma e encoraja!” - respondeu a jovem Marie. (Émile Zola, em Les Trois Villes (As Três Cidades), romance escrito entre 1893 e 1898).
Em 28 de outubro de 1886, foi inaugurada a Estátua da Liberdade, em Liberty Island (Ilha da Liberdade), na entrada do porto de Nova York. Patrimônio Mundial da Unesco e um dos pontos turísticos mais visitados dos Estados Unidos, a estátua representa a liberdade do povo.
Dez anos depois, Susan Brownell Anthony declarou, em entrevista à repórter Nellie Bly, do jornal New York World's: “Isso tem feito mais para emancipar as mulheres do que qualquer outra coisa no mundo. Ela dá às mulheres um sentimento de liberdade e autoconfiança.” Susan não se referia à estátua, mas a uma outra imagem de liberdade: as mulheres andando de bicicleta.
Susan foi professora, ativista e lutou pelos direitos feministas junto com Elizabeth Cady. Ela nasceu em Massachusetts, em 1820; foi a segunda de sete filhos de uma família Quaker, que por tradição, era abolicionista e defendia a igualdade entre homens e mulheres. Mais do que um ponto turístico, mais do que um objeto imóvel e sem vida, a bicicleta levou a mulher para grandes conquistas sociais e desemaranhados históricos.
É o caso da educação superior, onde há um aumento global do número de mulheres frequentando universidades, ultrapassando inclusive o número de homens. Mas nem sempre foi assim... No Brasil, apenas em 1827 surgiu a primeira lei permitindo a frequência de mulheres no ensino básico, e o ensino superior ainda lhes era proibido. Em 1879, quando enfim puderam ingressar nas instituições de nível superior, as mulheres brasileiras que se “atreveram” a tal avanço enfrentaram críticas e opressão. “Não é necessário que minha filha aprenda aritmética para encontrar um marido”, pensavam os pais da época. Entretanto, venceram.
Depois de formadas, as mulheres de hoje buscam afirmação no mercado de trabalho. As condições ainda não são totalmente justas e ideais, mas com certeza são melhores do que em 1887, quando Rita Lobato Velho, a primeira mulher a se formar médica no Brasil e outras pioneiras em várias áreas de atuação, por vezes foram ridicularizadas.
Na política, o mundo assistiu a ascensão de grandes mulheres assumindo cargos públicos importantíssimos e tornando-se internacionalmente influentes. Nosso exemplo maior remete à eleição da primeira presidenta mulher do Brasil, Dilma Rousseff. Mas nem sempre foi assim... Apenas em 1932 as mulheres brasileiras tiveram direito ao voto. Um pouco antes, em 1927, 15 mulheres haviam votado nas eleições do Rio Grande do Norte, graças a uma alteração pleiteada pelo então governador Juvenal Lamartine. Foi a primeira vez que as mulheres votaram no Brasil e na América Latina, mas no ano seguinte esses votos foram anulados.
De qualquer forma, neste mesmo ano era eleita a primeira prefeita da história da América Latina: Alzira Soriano de Souza, também no Rio Grande do Norte, no município de Lajes. Em seu discurso de posse, comparou o município a uma grande família e demonstrou maturidade na questão feminina. “Determinaram os acontecimentos sociais do nosso querido Rio Grande do Norte na constante evolução da democracia, que a mulher, esta doce colaboradora do lar, se voltasse também para colaborar com outra feição na sua obra político- administrativa. As conquistas atuais, a evolução que ora se opera, abrem uma clareira no convencionalismo, fazendo ressurgir a nova faceta dos sagrados direitos da mulher. Inovação estética não pode ser, o que se observa é a consciência elegante de uma conquista.”
Observa-se que a transição dos séculos XIX e XX, marcada pela emancipação das mulheres, não seria a mesma sem um veículo que permitiu rumar ao progresso e ao nivelamento entre direitos e deveres de homens e mulheres. A bicicleta, símbolo de liberdade, saúde e bem-estar, articulou de forma ímpar a contemplação feminina dessas características. Através do seu próprio esforço, elas utilizaram a bicicleta para uma longa viagem de conquistas, ainda em curso. Ao comparar o período atual com as condições dos anos 1.800, a evolução é gritante, embora algumas culturas e sociedades ainda privem as mulheres da igualdade dos sexos, como no Irã, por exemplo, onde ainda hoje as mulheres não podem andar de bicicleta.
A Hora de Mudar
O século XIX é marcado pelas novidades e invenções, resultantes principalmente da Revolução Industrial. Vários artigos foram aperfeiçoados e outros surgiram em decorrência dos avanços científicos, tecnológicos e das novas necessidades da sociedade em geral.
Com a industrialização veio também a urbanização, já que houve uma migração do campo para a cidade. Mas a massa de camponeses candidatos a operários encontraram um lugar pouco receptível, que precisou ser reestruturado e revitalizado para a vida moderna. A valorização do espaço público culminou na configuração da cidade como um ponto de encontro e vivência social. Cinemas, bares, apresentações musicais e áreas livres para o lazer e o esporte passaram a integrar os centros urbanos, graças à novidade da energia elétrica e outras descobertas impulsionadas pelo século XIX.
Neste cenário histórico, a bicicleta era a moda. Os ciclistas da época introduziam novas roupas e acessórios, faziam barulho nas estradas com suas buzinas e aproveitavam melhor a velocidade e o tempo. A mulher também começava a se fazer mais presente no espaço público da cidade, fato que despertava o fascínio e a alegria de alguns, mas preocupação de outros que viam na crescente participação e exposição feminina, uma ameaça ao pudor e ao domínio masculino nas relações sociais.
A união deste invento maravilhoso - a bicicleta - com a incrível força e determinação das mulheres em mudar a sua situação culminou em um dos movimentos mais bonitos e libertários da história humana. Longe ainda das injustiças atuais, a mulher daquela época lutava pelo direito de, aos poucos, poder sair de casa.
A fragilidade feminina
Uma figura pálida, doente e dependente. Era basicamente assim que se descrevia uma mulher no século XIX. Haviam claras vantagens em manter a mulher em uma condição de fraqueza física e emocional. Aos olhos sociais da época, mulher sensata era aquela que, totalmente dependente do seu marido, não tinha forças para votar, trabalhar e estudar.
Atrás dos vidros de suas casas e entre desmaios, injustiças e agressões, as damas quase não praticavam atividade física. Andar de bicicleta era considerado esforço demais para uma mulher. Quando as ideias e reivindicações de liberdade e igualdade começaram a ganhar força, e a presença da mulher se intensificou no espaço público, a bicicleta foi grande aliada, pois representou uma nova possibilidade de se exercitar nas cidades, justamente no momento histórico em que começava a se valorizar as atividades públicas de lazer.
Em 1894, dois clubes masculinos de Boston lançaram o desafio e Annie Kopchovsky aceitou: ela daria a volta ao mundo de bicicleta. Algo inimaginável e intolerante; uma mulher estava abandonando o lar e lançando-se ao desafio de provar que as mulheres não eram frágeis e poderiam realizar os mesmos feitos dos homens. Quinze meses depois, o New York Times noticiava a mais incrível viagem realizada por uma mulher. Annie retornava para casa e trazia consigo uma bagagem cheia de coragem e esperança que seria distribuída, indiretamente, a todas as mulheres.
Roupa de baixo
Christopher Connolly, em seu artigo para a Mental Floss, A Liberdade da Mulher Chegou de Bicicleta, destacou que as roupas femininas contribuíam para a fragilidade da mulher. “Suas vestes eram tipicamente pesadas, exagerando a silhueta feminina enquanto escondia o corpo. As curvas eram destacadas com espartilhos firmemente atados que, junto com as longas e pesadas roupas de baixo, limitavam a capacidade das mulheres de se mover e até mesmo respirar; daí a maior parte dos desmaios. Isso restringia as mulheres não apenas fisicamente, mas moralmente também. Em uma sociedade onde expor acidentalmente um tornozelo assumia ares pornográficos de uma dança, era necessário que a vestimenta protegesse a virtude de uma senhora”.
Em 1881 foi fundada a Rational Dress Society, organização de mulheres de Londres que queriam uma vestimenta feminina mais digna e confortável. “O Rational Dress Society protesta contra qualquer forma no vestido que deforme a figura, impeça os movimentos ou prejudique de qualquer outra forma a saúde da mulher. É nosso dever exigir vestimentas saudáveis, confortáveis e bonitas, que conduzam ao conforto e à beleza”, era sua autodefinição.
Em 1888, uma carta publicada pela Rational estabelecia que “o peso máximo da roupa de baixo (sem os sapatos) não poderia ser superior a 7 kg.” Sete quilos de roupas de baixo foi um motivo de comemoração!
Apesar da retaliação, as mulheres ativistas da época, aproveitando-se do momento, se envolveram rapidamente com a bicicleta. O hábito de usar a bicicleta como meio de locomoção, lazer e, para as mais ousadas, até como esporte, foi um dos responsáveis pela eliminação do uso do espartilho, pois com ele era praticamente impossível pedalar.
Conforme se tornava mais usual ver mulheres pedalando, as vestimentas passaram a ser mais curtas, justas e leves. Era a bicicleta influenciando a moda e o estilo de vida. As saias e vestidos foram perdendo espaço para roupas que permitiam sentar, caminhar e pedalar sem enroscar na corrente. Os calções femininos que eram presos ao tornozelo começaram a ganhar as ruas.
Essas mudanças, é claro, não foram facilmente aceitas. A nova presença social das mulheres, vestidas com roupas parecidas com as dos homens, desencadearam uma série de apreensões e debates. Mas pedalar tornava-se cada vez mais comum e, em 1896, o New York Journal of Commerce estimou que os cinemas, restaurantes e outros lazeres perderam cerca de 100 milhões de dólares por ano com o novo hábito de as pessoas pedalarem. Apesar das críticas e ridicularizações, elas seguiram em frente.
Connolly ainda mencionou em seu artigo que “antes das bicicletas, o cavalo era o melhor meio de transporte. Mas o acesso das mulheres ao cavalo era muito limitado. Cavalos eram perigosos e de controle difícil. As mulheres deveriam montar de lado, com as duas pernas juntas, o que as impedia de percorrer grandes distâncias, realimentando a ideia de que não deveriam montar. Em comparação, as bicicletas eram de manipulação fácil. Não havia motivos que impedissem uma mulher de subir numa bicicleta e dignamente pedalar para onde quisesse, tão longe quanto quisesse. Nenhum motivo a não ser sua vestimenta e o dilema de sua fragilidade, que a faria perder a virtude ou até a vida, tamanha sua exaustão.”
Apesar das pedras, tijolos e da insistência para que retornassem à casa e se comportassem como mulheres, as primeiras ciclistas continuaram rodando e trazendo conquistas à tona. As mulheres espelharam na bicicleta, a saúde, vivacidade e sensação de liberdade com que tanto sonhavam.
Anatomia da mulher pedalando
As mulheres ainda tinham uma batalha para vencer e assegurar de vez a prática do ciclismo. A questão girava em torno de constatações médicas que diagnosticaram a bicicleta como causadora de infertilidade, aborto e outros problemas físicos às mulheres. Se a bicicleta prejudicasse a maternidade, estava prejudicando a função social da mulher, que era casar e procriar. “Era um período estranho, insatisfatório, cheio de aspirações ingratas. Eu sonhava em ser útil ao mundo, mas éramos garotas pobres, nascidas em uma posição social específica. Não se pensava como necessário fazer algo diferente que nos entretermos até que o momento e a oportunidade do casamento surgisse. As mulheres das classes superiores também tinham que entender que a única porta aberta para uma vida fácil e respeitável era a do casamento. Melhor qualquer casamento do que nenhum, uma velha e tola tia costumava dizer”, registrou Charlotte Despard, escritora que viveu entre 1844 e 1939, demonstrando o ideário da época.
Outro problema apontado pelos médicos girava em torno da moralidade. Além da posição de sentar na bicicleta, vista por muitos como vergonhosa e imoral para uma dama, os médicos insistiam que as jovens que andassem de bicicleta sentiriam prazer pela fricção do selim em suas partes íntimas, o que incentivaria as mulheres a se tornarem depravadas e imorais. Um dos médicos defensores das bicicletas, Ludovic O'Followell, escreveu em seu livro Bicicleta e os Órgãos Genitais, que “se, por azar, um passeio de bicicleta revela à ciclista uma nova satisfação genital, não é necessário concluir que a bicicleta cria depravadas. Em investigação conduzida por nós com o propósito deste trabalho, foram negativas todas as respostas à pergunta: sentem algum prazer de ordem íntima quando pedalam?”
Mas essas novas mulheres estavam se identificando tanto com a expansão da bicicleta e com a sua oportunidade histórica, que resolveram enfrentar todas essas contrariedades. Atos de verdadeira libertação sobre duas rodas não cessavam em todo o mundo, principalmente Estados Unidos e Europa, e já era impossível separar a bicicleta do movimento reivindicatório das mulheres.
Presente e futuro
“Vejo cada vez mais mulheres fazendo uso da bicicleta, seja para lazer, transporte ou como atividade física. Esta tendência deve evoluir com o crescimento das ciclofaixas e ciclovias que estão aumentando a cada dia. A cultura da bicicleta existe da mesma forma para mulheres e homens, e essa evolução é contínua. O futuro promete muitas vendas e lojas lotadas de novidades para as mulheres que pedalam ou que desejam começar a pedalar”, relatou Nildo Guedes, ciclista com 20 anos de experiência que atua na equipe da Shimano Latin América.
Nildo revela também que as mulheres trazem as suas peculiaridades, como o cuidado com a estética e saúde, para o ciclismo. “Homem compra somente o que precisa e quando precisa, já a mulher é diferente, ela compra uma bermuda, aproveita e leva uma camisa e uma meia para combinar. Por isso, os produtos femininos são sempre voltados às combinações perfeitas. A cada produto masculino lançado, uma versão feminina também é preparada”.
O mercado comemora e vê com bons olhos esse nicho, que ainda promete crescer muito nos próximos anos. A busca das mulheres ainda é mais voltada para o lazer e exercício físico e, portanto, linhas para atletas e acessórios para o uso da bicicleta como meio de transporte ainda são menos explorados. As mulheres procuram ser mais cautelosas e procuram agir com mais segurança. Essa precaução limita o uso da bicicleta a situações que não envolvam muitos riscos.
Mas percebe-se, também nessa questão, uma mudança de postura das mulheres. Ainda que timidamente, elas estão buscando correr mais riscos e essa mudança se reflete na configuração familiar, no trabalho e nas competições. “Mesmo com todo o preconceito e com todo o assédio que as mulheres sofrem diariamente nas ruas, acredito que a força feminina tende a se impor cada vez mais. Em competições, temos nomes fortes como Liz Hatch e Rochelle Gilmore. Vários pontos pesaram para que as mulheres escolhessem outro veículo que não fosse a bike: ‘medo’ de adentrar espaços tidos como ‘masculinos’, receio do assédio nas ruas que, independentemente do meio de transporte, acontece sempre, falta de segurança no trânsito, falta de roupas confortáveis para o pedal, o medo de quedas e a impaciência por parte dos motoristas - buzinadas, xingamentos, arrancadas, etc. Percebo que as mulheres estão cansadas de terem um lugarzinho determinado pela sociedade e estão, enfim, colocando a cara na rua e lutando por tudo que acham importante e relevante para o mundo”, constatou Andréia Pires de Carvalho, 23 anos, professora e que usa a bicicleta como meio de transporte, demonstrando que a luta pela liberdade ainda continua.
“Comecei a pedalar em 2005 e lembro que havia muito mais homens no pedal do que mulheres. Não porque elas eram frágeis, mas por acharem que isso é coisa de homem e de moleque. As pessoas têm uma visão muito errada do ciclismo e, claro, isso vem também das mulheres; acho até que mais delas do que deles. A mulher, mesmo no século XXI, foi feita para casar e ter família. Fazer tudo isso e ainda pedalar parece coisa anormal, tanto que a maioria das mulheres que vejo no pedal é solteira ou separada, e uma pequena parte pedala para fazer companhia ao marido ou parceiro. Trabalhar fora, ter uma carreira, filhos, marido e ainda conciliar o ciclismo não é nada fácil, ainda mais sabendo que nesse meio tem mais homens que mulheres pedalando”, declarou Tânia Cristina Carmonario, 37 anos, professora que utiliza a bicicleta como meio de transporte e para exercícios físicos.
Nildo também vê como promissor o mercado de alta performance para o público feminino. “Muitas mulheres que iniciam sua busca por saúde optam inicialmente por aquela pedalada casual com o namorado ou sozinhas, porém é nítido o aumento do público feminino em provas de ciclismo, triathlon e MTB. As mulheres são muito competitivas”, completa.
A presença de mulheres em grupos de pedal - alguns exclusivamente femininos - tem aumentado nos últimos anos, apesar dos obstáculos que ainda enfrentam nas machistas ruas de nossas cidades. Aos poucos, elas se aventuram nas competições e provas que exigem muito preparo físico e inteligência emocional. Aos poucos, também, os organizadores das provas tomam medidas para fortalecer a presença feminina. Um exemplo é o Desafio Santana - Arapiraca, que este ano, em sua 7ª edição, terá uma competição exclusivamente feminina. A disputa será em 06 de novembro, em um percurso de 100 km. Uma das maiores ciclistas da atualidade, Renata Rodrigues já confirmou presença no desafio. Em 2010, a atleta conquistou o Rally Piocerá, o Moda Cup e o solo do Super 12 horas do Nordeste. Incentivada pelo esposo, também ciclista, Ivanildo, Renata fala sobre a importância de atitudes como esta para alavancar a participação das mulheres. “Meu marido já participou do desafio e elogiou demais a organização. Desde então, tive certeza que chegaria a minha oportunidade e essa é uma boa hora. É legal o desafio ter uma competição só para mulher. As mulheres estão conseguindo seu espaço na sociedade de um modo geral. O que ainda falta são pessoas para nos dar oportunidade de mostrar nossos valores. O desafio é um exemplo disso, quando nos presenteia com essa competição, que quebra barreiras”.
Liberdade é palavra fácil de associar com a bicicleta e por isso ela continua até hoje fazendo parte de movimentos revolucionários. Há quem lute pela sustentabilidade, pela simplicidade, por cidades mais humanas, por economias mais justas. Não são motivos supérfluos ou condições passageiras... São causas libertatórias no sentido mais profundo da palavra. É fácil entender, portanto, porque as mulheres que lutaram pelo feminismo logo se envolveram com a bicicleta, e que este envolvimento ainda provoca constantemente mudanças de costumes por parte da sociedade, e de valores em relação à fragilidade, elegância e delicadeza das mulheres.
Aline Cavalcante, 25 anos, jornalista que utiliza a bike como meio de transporte, define como a bicicleta é instrumento de independência, cidadania e saúde. “A bicicleta é um poderoso instrumento de transformação e inserção social, pois com ela é possível retomar o espaço público, conhecer melhor o lugar onde vive, entender os problemas e participar das soluções. Pedalar, seja por esporte, lazer ou transporte, é um exercício físico que libera endorfina e deixa a pessoa mais ligada, disposta, criativa e antenada com o mundo. Isso eu chamaria de liberdade mental: a capacidade de retomar a cidadania e a consciência de sociedade! Para as mulheres, em especial, a bicicleta traz a força e a autonomia que lutamos durante tanto tempo para conquistar. Percorrer distâncias usando suas próprias pernas é bonito, poético e libertador, capaz de aumentar a autoestima, melhorar o relacionamento inter-pessoal e a saúde das mulheres. Hoje, sou mais independente e me sinto cidadã, participante ativa e protagonista da minha história.”
Erasmo Carlos cantaria: “Dizem que a mulher é o sexo frágil. Mas que mentira absurda! Eu que faço parte da rotina de uma delas, sei que a força está com elas... Vejam como é forte a que eu conheço. Sua sapiência não tem preço, satisfaz meu ego se fingindo submissa, mas no fundo me enfeitiça. Quando eu chego em casa à noitinha, quero uma mulher só minha, mas pra quem deu luz, não tem mais jeito, porque um filho quer seu peito, o outro já reclama a sua mão, e o outro quer o amor que ela tiver. Quatro homens dependentes e carentes da força da mulher!” E elas responderiam: “Por que não um quinto elemento: a bicicleta?”
Fonte: Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
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| Foto: Facebook da Turma do Batom |
Dez anos depois, Susan Brownell Anthony declarou, em entrevista à repórter Nellie Bly, do jornal New York World's: “Isso tem feito mais para emancipar as mulheres do que qualquer outra coisa no mundo. Ela dá às mulheres um sentimento de liberdade e autoconfiança.” Susan não se referia à estátua, mas a uma outra imagem de liberdade: as mulheres andando de bicicleta.
Susan foi professora, ativista e lutou pelos direitos feministas junto com Elizabeth Cady. Ela nasceu em Massachusetts, em 1820; foi a segunda de sete filhos de uma família Quaker, que por tradição, era abolicionista e defendia a igualdade entre homens e mulheres. Mais do que um ponto turístico, mais do que um objeto imóvel e sem vida, a bicicleta levou a mulher para grandes conquistas sociais e desemaranhados históricos.
É o caso da educação superior, onde há um aumento global do número de mulheres frequentando universidades, ultrapassando inclusive o número de homens. Mas nem sempre foi assim... No Brasil, apenas em 1827 surgiu a primeira lei permitindo a frequência de mulheres no ensino básico, e o ensino superior ainda lhes era proibido. Em 1879, quando enfim puderam ingressar nas instituições de nível superior, as mulheres brasileiras que se “atreveram” a tal avanço enfrentaram críticas e opressão. “Não é necessário que minha filha aprenda aritmética para encontrar um marido”, pensavam os pais da época. Entretanto, venceram.
Depois de formadas, as mulheres de hoje buscam afirmação no mercado de trabalho. As condições ainda não são totalmente justas e ideais, mas com certeza são melhores do que em 1887, quando Rita Lobato Velho, a primeira mulher a se formar médica no Brasil e outras pioneiras em várias áreas de atuação, por vezes foram ridicularizadas.
Na política, o mundo assistiu a ascensão de grandes mulheres assumindo cargos públicos importantíssimos e tornando-se internacionalmente influentes. Nosso exemplo maior remete à eleição da primeira presidenta mulher do Brasil, Dilma Rousseff. Mas nem sempre foi assim... Apenas em 1932 as mulheres brasileiras tiveram direito ao voto. Um pouco antes, em 1927, 15 mulheres haviam votado nas eleições do Rio Grande do Norte, graças a uma alteração pleiteada pelo então governador Juvenal Lamartine. Foi a primeira vez que as mulheres votaram no Brasil e na América Latina, mas no ano seguinte esses votos foram anulados.
De qualquer forma, neste mesmo ano era eleita a primeira prefeita da história da América Latina: Alzira Soriano de Souza, também no Rio Grande do Norte, no município de Lajes. Em seu discurso de posse, comparou o município a uma grande família e demonstrou maturidade na questão feminina. “Determinaram os acontecimentos sociais do nosso querido Rio Grande do Norte na constante evolução da democracia, que a mulher, esta doce colaboradora do lar, se voltasse também para colaborar com outra feição na sua obra político- administrativa. As conquistas atuais, a evolução que ora se opera, abrem uma clareira no convencionalismo, fazendo ressurgir a nova faceta dos sagrados direitos da mulher. Inovação estética não pode ser, o que se observa é a consciência elegante de uma conquista.”
Observa-se que a transição dos séculos XIX e XX, marcada pela emancipação das mulheres, não seria a mesma sem um veículo que permitiu rumar ao progresso e ao nivelamento entre direitos e deveres de homens e mulheres. A bicicleta, símbolo de liberdade, saúde e bem-estar, articulou de forma ímpar a contemplação feminina dessas características. Através do seu próprio esforço, elas utilizaram a bicicleta para uma longa viagem de conquistas, ainda em curso. Ao comparar o período atual com as condições dos anos 1.800, a evolução é gritante, embora algumas culturas e sociedades ainda privem as mulheres da igualdade dos sexos, como no Irã, por exemplo, onde ainda hoje as mulheres não podem andar de bicicleta.
A Hora de Mudar
O século XIX é marcado pelas novidades e invenções, resultantes principalmente da Revolução Industrial. Vários artigos foram aperfeiçoados e outros surgiram em decorrência dos avanços científicos, tecnológicos e das novas necessidades da sociedade em geral.
Com a industrialização veio também a urbanização, já que houve uma migração do campo para a cidade. Mas a massa de camponeses candidatos a operários encontraram um lugar pouco receptível, que precisou ser reestruturado e revitalizado para a vida moderna. A valorização do espaço público culminou na configuração da cidade como um ponto de encontro e vivência social. Cinemas, bares, apresentações musicais e áreas livres para o lazer e o esporte passaram a integrar os centros urbanos, graças à novidade da energia elétrica e outras descobertas impulsionadas pelo século XIX.
Neste cenário histórico, a bicicleta era a moda. Os ciclistas da época introduziam novas roupas e acessórios, faziam barulho nas estradas com suas buzinas e aproveitavam melhor a velocidade e o tempo. A mulher também começava a se fazer mais presente no espaço público da cidade, fato que despertava o fascínio e a alegria de alguns, mas preocupação de outros que viam na crescente participação e exposição feminina, uma ameaça ao pudor e ao domínio masculino nas relações sociais.
A união deste invento maravilhoso - a bicicleta - com a incrível força e determinação das mulheres em mudar a sua situação culminou em um dos movimentos mais bonitos e libertários da história humana. Longe ainda das injustiças atuais, a mulher daquela época lutava pelo direito de, aos poucos, poder sair de casa.
A fragilidade feminina
Uma figura pálida, doente e dependente. Era basicamente assim que se descrevia uma mulher no século XIX. Haviam claras vantagens em manter a mulher em uma condição de fraqueza física e emocional. Aos olhos sociais da época, mulher sensata era aquela que, totalmente dependente do seu marido, não tinha forças para votar, trabalhar e estudar.
Atrás dos vidros de suas casas e entre desmaios, injustiças e agressões, as damas quase não praticavam atividade física. Andar de bicicleta era considerado esforço demais para uma mulher. Quando as ideias e reivindicações de liberdade e igualdade começaram a ganhar força, e a presença da mulher se intensificou no espaço público, a bicicleta foi grande aliada, pois representou uma nova possibilidade de se exercitar nas cidades, justamente no momento histórico em que começava a se valorizar as atividades públicas de lazer.
Em 1894, dois clubes masculinos de Boston lançaram o desafio e Annie Kopchovsky aceitou: ela daria a volta ao mundo de bicicleta. Algo inimaginável e intolerante; uma mulher estava abandonando o lar e lançando-se ao desafio de provar que as mulheres não eram frágeis e poderiam realizar os mesmos feitos dos homens. Quinze meses depois, o New York Times noticiava a mais incrível viagem realizada por uma mulher. Annie retornava para casa e trazia consigo uma bagagem cheia de coragem e esperança que seria distribuída, indiretamente, a todas as mulheres.
Roupa de baixo
Christopher Connolly, em seu artigo para a Mental Floss, A Liberdade da Mulher Chegou de Bicicleta, destacou que as roupas femininas contribuíam para a fragilidade da mulher. “Suas vestes eram tipicamente pesadas, exagerando a silhueta feminina enquanto escondia o corpo. As curvas eram destacadas com espartilhos firmemente atados que, junto com as longas e pesadas roupas de baixo, limitavam a capacidade das mulheres de se mover e até mesmo respirar; daí a maior parte dos desmaios. Isso restringia as mulheres não apenas fisicamente, mas moralmente também. Em uma sociedade onde expor acidentalmente um tornozelo assumia ares pornográficos de uma dança, era necessário que a vestimenta protegesse a virtude de uma senhora”.
Em 1881 foi fundada a Rational Dress Society, organização de mulheres de Londres que queriam uma vestimenta feminina mais digna e confortável. “O Rational Dress Society protesta contra qualquer forma no vestido que deforme a figura, impeça os movimentos ou prejudique de qualquer outra forma a saúde da mulher. É nosso dever exigir vestimentas saudáveis, confortáveis e bonitas, que conduzam ao conforto e à beleza”, era sua autodefinição.
Em 1888, uma carta publicada pela Rational estabelecia que “o peso máximo da roupa de baixo (sem os sapatos) não poderia ser superior a 7 kg.” Sete quilos de roupas de baixo foi um motivo de comemoração!
Apesar da retaliação, as mulheres ativistas da época, aproveitando-se do momento, se envolveram rapidamente com a bicicleta. O hábito de usar a bicicleta como meio de locomoção, lazer e, para as mais ousadas, até como esporte, foi um dos responsáveis pela eliminação do uso do espartilho, pois com ele era praticamente impossível pedalar.
Conforme se tornava mais usual ver mulheres pedalando, as vestimentas passaram a ser mais curtas, justas e leves. Era a bicicleta influenciando a moda e o estilo de vida. As saias e vestidos foram perdendo espaço para roupas que permitiam sentar, caminhar e pedalar sem enroscar na corrente. Os calções femininos que eram presos ao tornozelo começaram a ganhar as ruas.
Essas mudanças, é claro, não foram facilmente aceitas. A nova presença social das mulheres, vestidas com roupas parecidas com as dos homens, desencadearam uma série de apreensões e debates. Mas pedalar tornava-se cada vez mais comum e, em 1896, o New York Journal of Commerce estimou que os cinemas, restaurantes e outros lazeres perderam cerca de 100 milhões de dólares por ano com o novo hábito de as pessoas pedalarem. Apesar das críticas e ridicularizações, elas seguiram em frente.
Connolly ainda mencionou em seu artigo que “antes das bicicletas, o cavalo era o melhor meio de transporte. Mas o acesso das mulheres ao cavalo era muito limitado. Cavalos eram perigosos e de controle difícil. As mulheres deveriam montar de lado, com as duas pernas juntas, o que as impedia de percorrer grandes distâncias, realimentando a ideia de que não deveriam montar. Em comparação, as bicicletas eram de manipulação fácil. Não havia motivos que impedissem uma mulher de subir numa bicicleta e dignamente pedalar para onde quisesse, tão longe quanto quisesse. Nenhum motivo a não ser sua vestimenta e o dilema de sua fragilidade, que a faria perder a virtude ou até a vida, tamanha sua exaustão.”
Apesar das pedras, tijolos e da insistência para que retornassem à casa e se comportassem como mulheres, as primeiras ciclistas continuaram rodando e trazendo conquistas à tona. As mulheres espelharam na bicicleta, a saúde, vivacidade e sensação de liberdade com que tanto sonhavam.
Anatomia da mulher pedalando
As mulheres ainda tinham uma batalha para vencer e assegurar de vez a prática do ciclismo. A questão girava em torno de constatações médicas que diagnosticaram a bicicleta como causadora de infertilidade, aborto e outros problemas físicos às mulheres. Se a bicicleta prejudicasse a maternidade, estava prejudicando a função social da mulher, que era casar e procriar. “Era um período estranho, insatisfatório, cheio de aspirações ingratas. Eu sonhava em ser útil ao mundo, mas éramos garotas pobres, nascidas em uma posição social específica. Não se pensava como necessário fazer algo diferente que nos entretermos até que o momento e a oportunidade do casamento surgisse. As mulheres das classes superiores também tinham que entender que a única porta aberta para uma vida fácil e respeitável era a do casamento. Melhor qualquer casamento do que nenhum, uma velha e tola tia costumava dizer”, registrou Charlotte Despard, escritora que viveu entre 1844 e 1939, demonstrando o ideário da época.
Outro problema apontado pelos médicos girava em torno da moralidade. Além da posição de sentar na bicicleta, vista por muitos como vergonhosa e imoral para uma dama, os médicos insistiam que as jovens que andassem de bicicleta sentiriam prazer pela fricção do selim em suas partes íntimas, o que incentivaria as mulheres a se tornarem depravadas e imorais. Um dos médicos defensores das bicicletas, Ludovic O'Followell, escreveu em seu livro Bicicleta e os Órgãos Genitais, que “se, por azar, um passeio de bicicleta revela à ciclista uma nova satisfação genital, não é necessário concluir que a bicicleta cria depravadas. Em investigação conduzida por nós com o propósito deste trabalho, foram negativas todas as respostas à pergunta: sentem algum prazer de ordem íntima quando pedalam?”
Mas essas novas mulheres estavam se identificando tanto com a expansão da bicicleta e com a sua oportunidade histórica, que resolveram enfrentar todas essas contrariedades. Atos de verdadeira libertação sobre duas rodas não cessavam em todo o mundo, principalmente Estados Unidos e Europa, e já era impossível separar a bicicleta do movimento reivindicatório das mulheres.
Presente e futuro
“Vejo cada vez mais mulheres fazendo uso da bicicleta, seja para lazer, transporte ou como atividade física. Esta tendência deve evoluir com o crescimento das ciclofaixas e ciclovias que estão aumentando a cada dia. A cultura da bicicleta existe da mesma forma para mulheres e homens, e essa evolução é contínua. O futuro promete muitas vendas e lojas lotadas de novidades para as mulheres que pedalam ou que desejam começar a pedalar”, relatou Nildo Guedes, ciclista com 20 anos de experiência que atua na equipe da Shimano Latin América.
Nildo revela também que as mulheres trazem as suas peculiaridades, como o cuidado com a estética e saúde, para o ciclismo. “Homem compra somente o que precisa e quando precisa, já a mulher é diferente, ela compra uma bermuda, aproveita e leva uma camisa e uma meia para combinar. Por isso, os produtos femininos são sempre voltados às combinações perfeitas. A cada produto masculino lançado, uma versão feminina também é preparada”.
O mercado comemora e vê com bons olhos esse nicho, que ainda promete crescer muito nos próximos anos. A busca das mulheres ainda é mais voltada para o lazer e exercício físico e, portanto, linhas para atletas e acessórios para o uso da bicicleta como meio de transporte ainda são menos explorados. As mulheres procuram ser mais cautelosas e procuram agir com mais segurança. Essa precaução limita o uso da bicicleta a situações que não envolvam muitos riscos.
Mas percebe-se, também nessa questão, uma mudança de postura das mulheres. Ainda que timidamente, elas estão buscando correr mais riscos e essa mudança se reflete na configuração familiar, no trabalho e nas competições. “Mesmo com todo o preconceito e com todo o assédio que as mulheres sofrem diariamente nas ruas, acredito que a força feminina tende a se impor cada vez mais. Em competições, temos nomes fortes como Liz Hatch e Rochelle Gilmore. Vários pontos pesaram para que as mulheres escolhessem outro veículo que não fosse a bike: ‘medo’ de adentrar espaços tidos como ‘masculinos’, receio do assédio nas ruas que, independentemente do meio de transporte, acontece sempre, falta de segurança no trânsito, falta de roupas confortáveis para o pedal, o medo de quedas e a impaciência por parte dos motoristas - buzinadas, xingamentos, arrancadas, etc. Percebo que as mulheres estão cansadas de terem um lugarzinho determinado pela sociedade e estão, enfim, colocando a cara na rua e lutando por tudo que acham importante e relevante para o mundo”, constatou Andréia Pires de Carvalho, 23 anos, professora e que usa a bicicleta como meio de transporte, demonstrando que a luta pela liberdade ainda continua.
“Comecei a pedalar em 2005 e lembro que havia muito mais homens no pedal do que mulheres. Não porque elas eram frágeis, mas por acharem que isso é coisa de homem e de moleque. As pessoas têm uma visão muito errada do ciclismo e, claro, isso vem também das mulheres; acho até que mais delas do que deles. A mulher, mesmo no século XXI, foi feita para casar e ter família. Fazer tudo isso e ainda pedalar parece coisa anormal, tanto que a maioria das mulheres que vejo no pedal é solteira ou separada, e uma pequena parte pedala para fazer companhia ao marido ou parceiro. Trabalhar fora, ter uma carreira, filhos, marido e ainda conciliar o ciclismo não é nada fácil, ainda mais sabendo que nesse meio tem mais homens que mulheres pedalando”, declarou Tânia Cristina Carmonario, 37 anos, professora que utiliza a bicicleta como meio de transporte e para exercícios físicos.
Nildo também vê como promissor o mercado de alta performance para o público feminino. “Muitas mulheres que iniciam sua busca por saúde optam inicialmente por aquela pedalada casual com o namorado ou sozinhas, porém é nítido o aumento do público feminino em provas de ciclismo, triathlon e MTB. As mulheres são muito competitivas”, completa.
A presença de mulheres em grupos de pedal - alguns exclusivamente femininos - tem aumentado nos últimos anos, apesar dos obstáculos que ainda enfrentam nas machistas ruas de nossas cidades. Aos poucos, elas se aventuram nas competições e provas que exigem muito preparo físico e inteligência emocional. Aos poucos, também, os organizadores das provas tomam medidas para fortalecer a presença feminina. Um exemplo é o Desafio Santana - Arapiraca, que este ano, em sua 7ª edição, terá uma competição exclusivamente feminina. A disputa será em 06 de novembro, em um percurso de 100 km. Uma das maiores ciclistas da atualidade, Renata Rodrigues já confirmou presença no desafio. Em 2010, a atleta conquistou o Rally Piocerá, o Moda Cup e o solo do Super 12 horas do Nordeste. Incentivada pelo esposo, também ciclista, Ivanildo, Renata fala sobre a importância de atitudes como esta para alavancar a participação das mulheres. “Meu marido já participou do desafio e elogiou demais a organização. Desde então, tive certeza que chegaria a minha oportunidade e essa é uma boa hora. É legal o desafio ter uma competição só para mulher. As mulheres estão conseguindo seu espaço na sociedade de um modo geral. O que ainda falta são pessoas para nos dar oportunidade de mostrar nossos valores. O desafio é um exemplo disso, quando nos presenteia com essa competição, que quebra barreiras”.
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| Foto: Mural do Leno |
Aline Cavalcante, 25 anos, jornalista que utiliza a bike como meio de transporte, define como a bicicleta é instrumento de independência, cidadania e saúde. “A bicicleta é um poderoso instrumento de transformação e inserção social, pois com ela é possível retomar o espaço público, conhecer melhor o lugar onde vive, entender os problemas e participar das soluções. Pedalar, seja por esporte, lazer ou transporte, é um exercício físico que libera endorfina e deixa a pessoa mais ligada, disposta, criativa e antenada com o mundo. Isso eu chamaria de liberdade mental: a capacidade de retomar a cidadania e a consciência de sociedade! Para as mulheres, em especial, a bicicleta traz a força e a autonomia que lutamos durante tanto tempo para conquistar. Percorrer distâncias usando suas próprias pernas é bonito, poético e libertador, capaz de aumentar a autoestima, melhorar o relacionamento inter-pessoal e a saúde das mulheres. Hoje, sou mais independente e me sinto cidadã, participante ativa e protagonista da minha história.”
Erasmo Carlos cantaria: “Dizem que a mulher é o sexo frágil. Mas que mentira absurda! Eu que faço parte da rotina de uma delas, sei que a força está com elas... Vejam como é forte a que eu conheço. Sua sapiência não tem preço, satisfaz meu ego se fingindo submissa, mas no fundo me enfeitiça. Quando eu chego em casa à noitinha, quero uma mulher só minha, mas pra quem deu luz, não tem mais jeito, porque um filho quer seu peito, o outro já reclama a sua mão, e o outro quer o amor que ela tiver. Quatro homens dependentes e carentes da força da mulher!” E elas responderiam: “Por que não um quinto elemento: a bicicleta?”
Fonte: Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
Trek: aviso de recall de segurança
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| Foto: Divulgação |
Fig. 2Algumas bicicletas Trek foram vendidas equipadas com freios a disco e uma alavanca de blocagem rápida dianteira que abre mais que 180° (fig. 1). Se a blocagem rápida for mal ajustada ou deixada aberta numa bicicleta que também possua um freio disco dianteiro, a alavanca da blocagem rápida pode ficar presa no conjunto do disco de freio dianteiro (fig. 2). Se isso acontecer, a roda dianteira poderá se se soltar do garfo dianteiroou sofrer uma parada súbita e o ciclista poderá perder o controle da bicicleta.
A Trek quer a sua segurança. Você deve sempre ajustar corretamente a blocagem rápida de sua bicicleta antes de pedalar. O Manual do Proprietário Trek contém instruções detalhadas para a instalação e remoção adequada da blocagem rápida. Se você não possui um Manual do Proprietário Trek, consulte seu revendedor Trek local.
Informações adicionais sobre o ajuste adequado da blocagem rápida, incluindo vídeos sobre a instalação e remoção da blocagem rápida estão disponíveis no site da Trek: manuais e segurança. Mais vídeos demonstrando o ajuste adequado da blocagem rápida estão disponíveis no canal YouTube da Trek: sem arruelas e com arruelas. Recomendamos revisar esses materiais e consultar seu revendedor Trek local para sanar quaisquer dúvidas a respeito do uso adequado de sua blocagem rápida.
Esta carta contém informações importantes sobre o que fazer se tiver uma dessas bicicletas. A Trek também recomenda inspecionar outras marcas de bicicletas que possa ter, já que outros fabricantes também vendem bicicletas equipadas com estes componentes.
Sua segurança é muito importante para nós. Portanto, se desejar, a Trek substituirá o mecanismo de blocagem rápida dianteiro das bicicletas afetadas, gratuitamente. Isto inclui a substituição da blocagem rápida especialmente projetada com arruelas, se já tiver sido instalada em sua bicicleta.
Modelos afetados
Qualquer bicicleta Trek equipada com freios a disco e uma alavanca de blocagem rápida dianteira que possa abrir mais que 180º e entrar em contato com o conjunto de freio a disco é afetada. Se não tem certeza se sua bicicleta possui essa combinação, leve-a ao revendedor Trek local para uma inspeção gratuita.
O que Trek fará pelos proprietários de uma bicicleta em recall
Se você possui uma bicicleta afetada por este recall e gostaria de substituir a blocagem rápida, a Trek fornecerá gratuitamenteatravés de um revendedor Trek - uma blocagem rápida e sua instalação. Além disto, você receberá um cupom de desconto no valor de R$50,00 para a compra de itens Bontrager (exceto sapatilhas), no momento da troca da blocagem, e desde que efetuada até o dia 31 de dezembro de 2015. Este cupom não representa valor em dinheiro. Se tiver alguma dúvida, por favor, entre em contato pelo (11) 4806 8800.
Obrigado por comprar uma bicicleta Trek
Pedimos sinceras desculpas por qualquer inconveniente que isso lhe causou. Nós valorizamos você como cliente e queremos que desfrute o pedalar com segurança em sua bicicleta Trek.
Esta carta foi preparada em cooperação com a Consumer Product Safety Commission. Se você tiver dúvidas sobre as informações nesta carta, por favor, entre em contato com seu revendedor Trek.
Link do documento: http://www.trekbikes.com/pdf/recalls/20150421/15TK_QRRecall_WebNotice_PT.pdf
Fonte: Trek
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