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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Uma doença que impedia as mulheres de pedalar

Foto: Arquivo Histórico
A bicicleta foi um dos símbolos da independência feminina. No final do século XIX, a bicicleta se difundia como meio de transporte e lazer e as mulheres, aos poucos, conquistavam sua emancipação sobre duas rodas.

Misteriosamente, porém, uma doença relacionada ao pedalar surgiu e passou a assustar as senhoritas ciclistas. Médicos da época afirmavam que a posição e o esforço necessário para andar de bicicleta causavam uma expressão de fadiga e exaustão, que ficou conhecida como o “rosto de bicicleta”, especialmente relacionada ao público feminino. Ainda sob um pensamento machista dominante, pressionados pelos maridos e pais, os especialistas incentivavam as mulheres a não pedalar, para que não ficassem com os lábios deformados, olheiras, expressão de cansaço, mandíbula rígida e olhos esbugalhados.


Alguns diziam que esses sintomas eram permanentes; outros afirmavam que diminuíam se a pessoa passasse um longo tempo sem pedalar.  Periódicos médicos da época, como o National Review, publicaram artigos de médicos como o britânico A. Shadwell, que advertiu, em 1897: “o ciclismo como uma mania de moda tem sido experimentado por pessoas que não se adequam a exercê-lo”. Essa “doença” provavelmente perdurou por muitos anos e deve ter deixado muitas mulheres receosas, mas felizmente elas perceberam que a bicicleta era, ao contrário do que os médicos afirmavam, um remédio para a saúde e um instrumento de liberdade que marcaria para sempre a igualdade entre os gêneros.

Fonte: Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner

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