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quinta-feira, 7 de julho de 2016

A simplicidade da marcha única

Foto: Vitchanan Photography
Acredito que quase todo ciclista, pelo menos os “das antigas”, já teve contato com uma bicicleta de marcha única, as famosas single speed.

A última vez que pedalei uma foi na época em que era criança, quando tinha uma Caloi Cross.

Saudosos os tempos em que se precisava fazer “cobrinha” para subir as íngremes ladeiras do meu bairro, entre tantas outras peripécias.

Depois que as bicicletas de várias marchas se popularizaram e, por conta disso, baratearam, as single speed foram sumindo das ruas. Por muito tempo só eram vistas na praia, as famosas bike-caiçara, entre os praticantes de BMX e nas cidades do interior com as famosas barra forte ou barra circular.

Acontece que nos últimos anos, com o maior apelo da bicicleta como meio de transporte urbano e com o crescente número de bicicletas fixas nas ruas das grandes cidades, essas magrelas mais simples, quase sempre resgatadas do fundo de bicicletarias de bairro, estacionamento de prédios e garagens entulhadas, voltaram a tomar conta da cena.

É claro que com o “hype” dessas bikes, os importadores brasileiros começaram a se coçar e trazer marcas e modelos novos, umas com design retrô, outras mais agressivas. Enfim, as single speeds estão aí para quem quiser ver e ter.

Essas bikes tem muito para oferecer a quem é amante de bicicletas. Uma voltinha noturna com uma single speed me remete ao tempo de infância, quando eu tinha que fazer força para subir longas e íngremes ladeiras, a cadência sempre alta e o coração sempre a querer saltar pela boca. Um tempo onde não existia muita preocupação com o fato da bike ter um grupo top (grupo? Nem sabíamos o que era isso), se a suspensão tinha trava, se a marca do pneu era XYZ etc.

A bicicleta de marcha única, assim como as sensações e as lembranças que citei, são bastante simplistas. Não é preciso ter quadro e componentes caros. Não há compromisso com performance. O único compromisso é com a diversão. A proposta continua a mesma: pegar a bike para girar sem rumo pela cidade, dar uns cavalinhos de pau na areia no canto da rua, pedalar em pé, jogando a bike de um lado para o outro, cumprimentar as pessoas que passam, pedalando ou correndo, tentando levar uma vida um pouco mais saudável e depois de tudo isso, chegar em casa com as pernas cansadas e um enorme sorriso na cara.

Se você tiver uma bicicleta velha jogada na garagem, dê uma pequena atenção a ela. Não precisa gastar muita grana. Talvez não precise gastar grana nenhuma: deixe-a o mais simples possível e reexperimente o prazer da simplicidade da marcha única!

Fonte: Revista Bicicleta por Fábio Tux

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