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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Pedalar vicia, diz a ex-jogadora de vôlei Fernanda Venturini

Fernanda Venturini e o marido, Bernardinho - Arquivo pessoal
A L’Étape Brasil acontecerá no dia 25 de outubro, em Cunha, município paulista localizado a 230 quilômetros de São Paulo. No percurso, a ex-jogadora estará acompanhada do marido, o técnico da Seleção Brasileira de Vôlei, Bernardo Rezende, o Bernardinho, que também é ciclista amador.

Em entrevista ao site Coração & Vida, a ex-jogadora falou sobre o surgimento da paixão pelo pedal e deu dicas para quem pretende iniciar no esporte. A seguir, a íntegra da conversa com Fernanda:

Coração & Vida – Como foi para você trocar o vôlei pelo ciclismo?

Fernanda – Não foi exatamente uma troca. Parei de jogar há três anos por causa das lesões que herdei do vôlei. Acho que é por causa delas que não sinto saudades das quadras. Quando deixei o vôlei, precisava fazer alguma atividade física. Como o Bernardo começou a pedalar e adorou, resolvi acompanhá-lo. É uma atividade que a gente faz junto e com os amigos. Gostei tanto que não parei mais. Agora, sou só torcedora de vôlei.

C&V – Quando você jogava já andava de bicicleta?

Fernanda – Andava muito pouco porque jogador profissional tem que se preservar para os jogos. Não podia pedalar como faço hoje porque, no ciclismo, há sempre o risco de queda. Qualquer acidente poderia comprometer a minha performance em quadra. Só investi no pedal quando parei definitivamente de jogar.

C&V- Dizem que pedalar vicia.

Fernanda – É verdade. Hoje, sou viciada no pedal, apesar das sequelas do vôlei que trago no corpo. Fiquei com problemas nos dois joelhos e no pescoço. As heranças do esporte me impedem de pedalar todo dia.

C&V – O que você tem nos joelhos e no pescoço?

Fernanda – Tenho condromalacia nível 4 [erosão ou perda completa da cartilagem articular, com exposição do osso subcondral, comum em jogadores, ciclistas e corredores] nos dois joelhos que me impedem de correr. Como pedalar ajuda a coxa ficar mais forte, é bom para os joelhos. No pescoço, tenho uma hérnia cervical. Ela surgiu por causa das mil de bolas que levantei para frente e para trás nas quase três décadas que joguei vôlei profissionalmente. Também fiz uma operação para a retirada de joanetes há dois anos, que me deixou com sequelas nos pés.

C&V – Para fazer ciclismo é preciso fazer check-up todo ano?

Fernanda – Todo mundo, atleta ou não, precisa cuidar da saúde. Por isso, Bernardo e eu vamos anualmente a São Paulo para check-up no hospital Sírio-Libanês.

C&V – Quantas vezes por semana você pedala?

Fernanda – Pedalo três vezes por semanas, de duas a três horas por dia. Já faço um pedal quase profissional com bicicleta de carbono, que é mais cara.  Posso dizer hoje que pedalo forte nas subidas dos morros no Rio. Um dos meus passeios favoritos é o caminho inclinado até o Cristo Redentor.

C&V – É melhor pedalar sozinha ou acompanhada?

Fernanda – É melhor pedalar sempre em grupo por várias razões, seja na cidade ou fora dela. O principal motivo é segurança. Fica mais difícil assaltar em grupo de ciclistas. Caso fure um pneu ou a gente caia, é bom ter alguém que possa nos ajudar.  Quando estamos acompanhados, aproveitamos as paradas para bater papo. Nas pedaladas leves, conseguimos conversar. O pedal é bom para fazer novos amigos.

C&V – Você pretende se transformar numa ciclista profissional?

Fernanda – Esse não é meu objetivo porque não tenho mais saúde para me tornar uma profissional. Já participei de uma prova na Itália, mas pedal é puro hobby. Meu próximo desafio no pedal vai ser concluir os mais de 100 quilômetros da L’Étape Brasil, em outubro. Bernardo e eu estaremos lá. Estou tendo que fazer um tratamento intensivo com choques para combater as dores nos pés, consequência de uma cirurgia para retirada de joanetes realizada há dois anos.

C&V – Quais as principais ações para o ciclista ter seu espaço respeitado?

Fernanda – O próprio ciclista tem que respeitar ciclovias e áreas reservadas para bicicletas. É preciso evitar andar na contramão e, quando não tiver jeito, tomar um cuidado extra com o pedestre. Afinal, ele não está preocupado com o ciclista que vem na contramão.

C&V – Que outros cuidados o ciclista de cidade precisa tomar?

Fernanda – É preciso ficar, pelo menos, um metro e meio de distância dos carros. Temos um trânsito louco nas grandes cidades e os nossos motoristas ainda não estão educados para dividir as ruas com ciclistas. Se não cooperarmos uns com os outros, vai levar mais tempo para que o ciclismo passe a fazer parte do nosso dia a dia.

C&V – Você já sofreu algum tipo de acidente praticando o esporte?

Fernanda – Graças a Deus, nunca levei nenhum tombo. Mas o Bernardo já luxou o braço porque foi “atropelado” por pedestre em plena ciclovia. Muita gente não olha na hora de atravessar uma ciclovia, o que é um erro. Em uma trombada, pedestre e ciclista podem se machucar feio. Agora, como pedalamos rápido, o risco de acidente está sempre presente. Muita gente já se machucou bastante, apesar de estar usando equipamentos de segurança. Tenho uma amiga que levou um tombo feio porque choveu. Ela escorregou, caiu e quebrou bacia e cotovelo. Outra companheira de pedal caiu quando passou num buraco e levou dezenas de pontos no rosto.

C&V – Que tipo de preparo físico o ciclismo exige? Quais músculos precisam ser fortalecidos?

Fernanda – Alongo pernas, panturrilhas e costas. Faço musculação para fortalecer os músculos das coxas, que são os mais exigidos durante as pedaladas. O ciclismo ajuda tanto a manter a forma como a entrar em forma. Já vi muita gente emagrecer depois que começou com o pedal. É mais fácil pedalar sem uma barriga grande.

C&V – Que tipo de alimentação é mais indicada antes do pedal?

Fernanda – Nada muito especial. Como pedalo sempre pela manhã, tomo um café reforçado com carboidratos, proteínas e frutas.

C&V – Que dicas que você poderia dar para quem pretende aderir ao ciclismo em cidades movimentadas como São Paulo e Rio?

Fernanda – Inicialmente, procure um professor ou amigo para acompanhá-lo. Para ganhar preparo físico para o esporte, faça aulas de spinning na academia durante algum tempo. Nunca pedale sozinho à noite e evite passar por locais que são considerados de risco para roubo. Os bandidos não poupam ninguém e podem ser muito cruéis com o ciclista solitário. Em maio, o médico Jaime Gold morreu depois de ter sido brutalmente esfaqueado enquanto pedalava na ciclovia da Lagoa Rodrigues de Freitas, no Rio.

C&V – Como escolher capacete, roupa e tênis ideais para o ciclismo? Bermuda acolchoada é mesmo importante?

Fernanda – Procure uma loja especializada, onde você vai encontrar capacete, luvas e roupas para iniciar no ciclismo. Bermuda acolchoada é importante porque os bancos da maioria das bicicletas são bem duros. Outro item indispensável é um relógio que monitora os batimentos cardíacos. É importante ter esse tipo de acompanhamento do coração.

Revisão técnica

  • Prof. Dr. Max Grinberg
  • Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
  • Autor do blog Bioamigo
Fonte: coracaoevida.com.br

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