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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Pedalar longas distâncias: Como Agir?


 Vamos falar de um tema bem interessante aos bikers é a questão das primeiras pedaladas, principalmente as mais longas. Nos grupos de ciclistas espalhados por aí, volta e meia este tema está em discussão, pois sempre tem gente entrando e saindo dos mesmos: garotos e garotas curiosos, senhores querendo melhorar sua condição física, bikers recém-chegados nas cidades, e malucos de todo tipo. Sinceramente acho que qualquer um pode se aventurar no ciclismo, seja MTB, speed, cicloturismo ou transporte, mas, por outro lado, penso que para início de conversa devemos observar algumas considerações básicas.

Pra você que já pedala:

Ajude o próximo: o estreante chega cheio de dúvidas e receios, muitas vezes não entende muita coisa sobre o equipamento, sobre os caminhos etc., portanto os mais “experientes” devem auxiliá-lo, lembre-se que você também começou um dia, ou seja, nada de tentar se dar bem em cima de quem está começando.

Não deboche do equipamento alheio: esta é uma prática que já deveria ter sido abolida. Ninguém usa um equipamento de baixa qualidade por puro sadomasoquismo e nem todo mundo pode comprar aquela superbike de luxo (apesar de todos termos o direito de sonhar com uma). Lembro que quando comecei, e isso não faz muito tempo (pedalo há apenas dois anos), eu usava uma bike super pesada (17,5kg), com 21 marchas ruins e pneus velhos, era um verdadeiro tanque de guerra atolado na lama, mas foi com ela que comecei, com ela que passei meus primeiros apertos, fiz meus primeiros ajustes e aprendi os primeiros macetes. Cheguei a ouvir algumas piadinhas, mas no geral eu recebia incentivos, muitos incentivos, do tipo: “caraca muleque, tu é corajoso de encarar a trilha com essa bike”, ou “tu ta pedalando bem hein? Quando comprar uma bike de verdade então…” Enfim, incentive e oriente seus novos parceiros(as) a adquirir equipamentos que tragam mais qualidade e conforto às pedaladas, mas nunca os menospreze.

Para quem está começando:

Não compre uma superbike logo de cara: bicicletas luxuosas, equipadas e ultraleves são sonhos de qualquer um, mas sonhos caros; se você está começando, peça dicas aos seus parceiros de pedal ou a um vendedor de confiança. Se puder, compre uma bike mediana; talvez numa bike mais barata a gente sinta mais confiança para aprender a fazer ajustes e se preocupe menos com tombos, arranhões no quadro e possíveis peças quebradas.

Não minta: se você está começando, diga que está começando. Nunca, mas nunca mesmo, minta sobre isso. O grupo que está lhe recebendo certamente vai adequar a pedalada às necessidades de quem está começando. Geralmente, os grupos já têm marcados os dias e horários das pedaladas mais leves ou mais pesadas. O perigo de mentir sobre isso é passar um baita aperto num passeio inicial, já vi inclusive gente que nunca mais quis subir numa bicicleta. Cabe aqui até um “causo”: certa vez, eu e um colega de trabalho estávamos conversando sobre as últimas pedaladas quando um conhecido se aproximou e comentou que também pedalava e que gostaria de nos acompanhar. Prontamente combinamos com ele um rolé para o fim de semana seguinte, mas não nos esquecemos de perguntar sobre a experiência e condições físicas dele, e a criatura respondeu que estava a pleno vapor, pedalando cerca de 70km, três vezes por semana. Ok, ótimo então. Nunca poderei provar se o cara mentiu ou não, a questão é que na primeira subida mais forte o bichinho já estava empurrando a bicicleta, no fim das contas a criatura quase morreu, parecia mais Cristo carregando a cruz do que um ciclista sobre uma bicicleta, nunca mais apareceu.

Acredite: eu sei que quando aquele vizinho lhe contou que pedalou 150km num só dia, você achou aquilo impossível, impensável, chegou a espalhar para a vizinhança que o cara era um baita “caôzeiro”, ou então achou que o cara tinha superpoderes, mas acredite: em condições normais qualquer um pode pedalar. Vai sofrer um bocado no começo, vai doer tudo (as costas, a cabeça, o pescoço, as nádegas), vai chegar em casa morto, vai ouvir os parentes te chamando de maluco, vai pensar em desistir. Mas seja perseverante, daqui a poucos meses você estará todo orgulhoso no trabalho tirando uma de super-herói. Há um ano e meio atrás eu postei todo feliz no facebook uma foto do meu velocímetro marcando 30km de distância!!! Em pouco tempo 30km virou treino.

Participe de um grupo: o grupo tem comprovadamente imensa importância psicológica. Com o grupo você vai aprender mais e mais rápido, faça perguntas, preste atenção. E, além disso, a galera não vai te deixar em paz. Naquele dia que bater a preguiça ou que estiver aquele frio desgraçado, fique tranqüilo, vão começar a chegar mensagens no seu celular: “e aí furão, tá com medinho do frio?”

Treine: se começou e gostou, fique tranqüilo, agora vai virar vício. Treine sempre, treinar será um prazer.  Regularidade é a chave para acabar com as dores, com as dúvidas e até com as crises existenciais; sim, elas existem, quem é que nunca entrou numa paranóia debaixo de sol quente no meio daquela subida “monstra”? (“O que é que eu estou fazendo aqui? Eu podia estar no meu sofá!”). Quem pedala sabe a diferença que faz aqueles dois treininhos de meio de semana.

Enfim, suba na bike e vá pedalar. Mesmo que sua bike seja aquele “camelinho” velho e pesado, mesmo que ache que não vai dar conta, que não saiba ajustar a magrela sozinho. Mesmo que já tenha tentado algumas vezes e tenha batido aquela paranóia. Mesmo que já tenha passado aquele aperto. Um dia você vai ver a felicidade que é chegar em casa acabado de cansaço e imundo, mas com um baita sorriso, com aquela cara de “eu consegui!!!”.

Fonte: Vitaly Costa e Silva

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