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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Ciclovias - Utopia ou Realidade

Seria possível a uma metrópole com 7 milhões de habitantes, com um trânsito extremamente complexo, no qual circulam diariamente mais de 1 milhão de veículos particulares e mais de 20.000 veículos no transporte público, pensar em priorizar a bicicleta como um dos principais instrumentos para a solução de seus problemas de transporte urbano?

Foto: Luiz Guadagnoli/Secom
Sim. Bogotá, na Colômbia, se tornou referência mundial após ter implementado uma revolução no transporte público, melhorando substancialmente a qualidade de vida da população urbana. Inspirando-se em Curitiba, Bogotá inaugurou um sofisticado sistema de transporte público: o “Transmilenio” integra os ônibus e trens da capital em uma vasta e extensa ciclovia, com 60 vias percorrendo 297 km pelas principais ruas da cidade, através de projeto de planejamento que incluiu paisagismo urbano e a criação de parques e bibliotecas.

Com características muito parecidas às de São Paulo, Bogotá de praticamente nulo para 5 % o número de usuários de ciclovias em poucos anos, o que diminuiu a poluição atmosférica e o consumo de combustíveis e provocou melhoria da qualidade de vida com inúmeros ganhos econômicos, sociais e ambientais.

Existem inúmeros exemplos de cidades pelo mundo que decidiram priorizar o transporte público e a integração das ciclovias como importante instrumento para melhorar o fluxo no trânsito urbano, a qualidade de vida e a paisagem urbana nas metrópoles. Os indicies de deslocamentos urbanos feitos por bicicletas em algumas cidades comprovam a viabilidade deste meio de transporte e demonstram o potencial de expansão dos ciclistas em ambientes urbanos de grandes cidades.


CIDADE% USO CICLOVIAS
Groningen, Holanda50%
Beijing, China48%
Tóquio, Japão25%
Moscou, Rússia24%
Nova Deli, India22%
Manhattan, NY, EUA8%
Toronto, Canadá3%
Londres, Inglaterra3%

Ciclovia e a qualidade de vida urbana

A organização urbana das cidades pode ser uma ferramenta poderosa na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Um dos mecanismos mais eficientes para a melhoria das condições sociais, econômicas e educacionais dos cidadãos mais pobres, da qualidade de vida e da dignidade de todos, reside no aproveitamento e utilização de bens públicos como parques, praças, calçadas e centros culturais e esportivos.

A poluição atmosférica e sonora, somada às péssimas condições de trânsito urbano, tendem a piorar a qualidade de vida e a percepção de inclusão social dessas camadas mais sensíveis da população. Problemas e custos relativos a congestionamentos, perda de espaços urbanos, consumo de energia e acesso dos mais pobres aos serviços públicos são só alguns exemplos desse ciclo negativo.

O ciclismo é uma parte importante da solução de problemas de transportes urbanos, além de um meio eficiente para manter-se a forma física, reduzindo o sedentarismo e os riscos de inúmeras doenças associadas à falta de exercícios físicos. Enquanto na América Latina a maior parte dos cidadãos costuma realizar atividades físicas por entretenimento ou esportes, esse índice se encontra na casa dos 5% em relação aos Holandeses, que tradicionalmente utilizam suas bicicletas para ir à escola ou ao trabalho.

A integração de um sistema de ciclovias à malha urbana de transportes públicos contribui substancialmente para o incremento do número de ciclistas, diminuindo o número de veículos motorizados. Devido a inúmeras intervenções urbanas para integração e melhoramento das ciclovias na Alemanha, entre 1975 e 1998, o aumento do número de ciclistas foi de 30% enquanto o a redução de acidentes fatais foi de 66%.

Investimentos em ciclovias urbanas têm um retorno muito alto. Inúmeros estudos apontam as vantagens econômicas decorrentes dos valores econômicos de ganho de tempo, segurança, meio ambiente e saúde pública: melhorias na segurança e fluxo do transito, espaços públicos para estacionamento, redução do custo pessoa/viagem., melhora ambiental e diminuição de problemas de saúde.

Oportunidades:

• Sistema “intermodal” de integração: Ciclovia x Transporte público. (Início da viagem de bicicleta e restante no transporte público, por exemplo).
• A maior parte do ciclista na América Latina é do sexo masculino, tem 25 a 35 anos, é empregado e prefere utilizar as bicicletas para economizar tempo e dinheiro . Campanhas poderiam incentivar as mulheres a utilizarem as ciclovias.
• Ser uma fonte de escoamento de produção agrícola e artesanal.
• Melhorias ambientais, de saúde pública e oportunidade para redução da pobreza.
• Pioneirismo da cidade de São Paulo.

Nos EUA, uma iniciativa do governo federal exige que os departamentos estaduais de transportes tenham uma pessoa encarregada da coordenação de políticas em relação a pedestres e ciclistas. Há seis anos, desde que essa medida foi implementada nos EUA, o nível de investimentos em projetos de ciclovias e caminhadas aumentou 2.500%.

O “Transportation Equity Act” inclui uma disposição de que todos os projetos em relação ao transporte devam incorporar medidas para facilitar o acesso a pedestres e ciclistas.

Algumas Variáveis importantes:

• Estabelecimento de planos e prioridades de curto, médio e longo prazo.
• Planejamento com participação de todos atores relevantes, principalmente: “Triangulo: Profissionais – Consumidores – Gestores Públicos”.
• Acessibilidade seletiva. Fragmentação e utilização de várias formas de transportes, interação e otimização de rotas e possibilidades.
• Flexibilidade de: Tempo, custo e velocidade são importantes para o usuário de Veículos Não Motorizados (VNM). Questões ambientais não são importantes.
• Envolvimento de Polícia garantindo segurança nos trajetos e estacionamentos das bicicletas.
• Investimentos da iniciativa privada: Estacionamento p/ bicicletas, vestiários, crédito para aquisição de bicicletas, parcerias para baratear custo.

Problemas:

Alguns dos principais problemas apontados por ciclistas são a infraestrutura inadequada no trânsito urbano, a dificuldade em se estacionar com segurança, e os muitos roubos de bicicletas, além do alto custo (impostos e taxas) tornando-as inacessíveis aos mais pobres.

Soluções:

• Criação de uma infraestrutura integrada, que garanta: Segurança, Coerência, Objetividade, Atração e Conforto.
• Necessidade de integração de estacionamentos para bicicletas em estações de trem/metro e terminais de ônibus.
• Campanhas para conscientização da população para os benefícios de sua utilização.

Planejamento

• Planejamento Urbano – Mapeamento de possíveis rotas.
Residência – Trabalho, Residência – Escola, Residência – Centro culturais/Esportivos.
• Campanhas Informativas dos benefícios econômicos e para a saúde.
• Promoções e Incentivos.
• “Building capacity” dos gestores públicos.

Benefícios Econômicos:

• Diminuição de horas perdidas em congestionamento.
• Reduz custos com tratamentos médicos devido ao aumento das atividades físicas.
• Bicicletas são mais baratas e sua manutenção é mais econômica.
• Reduz a porcentagem das receitas familiares alocadas em gastos com transportes.
• Geração de renda e emprego, mão de obra intensiva na produção e manutenção.

Benefícios Sociais:

• Oferecer flexibilidade, conveniência e garantias maiores ao usuário.
• Aumentar a mobilidade e independência (point to point travel).
• Inclusão social.
• Aumentar qualidade de vida.
• Melhorar indicadores de saúde e expectativa de vida.
• Diminuir acidentes e mortes no trânsito e conseqüente segurança na comunidade.
• Aumentar a autonomia e acessibilidade para jovens.

Benefícios Urbanos:

• Aumentar a atração dos centros urbanos,
• Melhorar o fluxo no tráfico.
• Redução dos espaços tomados pelos automóveis.
• Diminuir o processo de deteriorização em áreas com muito fluxo.
• A infraestrutura de trilhos de trem abandonos pode ser remodelada como ciclovias com áreas verdes, melhorando a paisagem urbana.
• Expandir as áreas nas quais pessoas poderiam utilizar os transportes públicos.

Benefícios Ambientais:

• Redução da poluição sonora
• Redução da poluição atmosférica.
• Redução da dependência em recursos não renováveis (petróleo)
• Eficiência energética.
• Redução da deteorização de monumentos históricos.

Realidade ou utopia?

Transformarço ambiente metropolitano da cidade de São Paulo em um espaço urbano que incentive ciclistas e pedestres, associado a uma política pública que permita a integração das ciclovias aos principais centros de emissão de passageiros nos transportes públicos, como estações de trem, metrô e terminais de ônibus, ou ainda a facilitar o escoamento de pequenos produtores urbanos aos centros de distribuição e feiras regionais, em um ambiente seguro e saudável, pode ser um dos principais mecanismos para a implementação de um modelo eficiente que priorize o trânsito publico e a qualidade de vida da população.

Um estudo comparativo de algumas das principais cidades pelo mundo que priorizaram o transporte público e a qualidade de vida de seus cidadãos mostra como importantes transformações do espaço público urbano começaram com pequenas soluções e intervenções do poder público.

Uma ciclovia em São Paulo pode parecer uma utopia para alguns, porém os exemplos internacionais podem servir de inspiração para se transformar a realidade urbana de São Paulo, em um esforço conjunto da sociedade civil, iniciativa privada e poder público.

“Queremos uma cidade dinâmica e organizada, na qual seus moradores se sintam pertencentes ao todo. Queremos uma cidade que responda aos congestionamentos não com aumento das estradas, mas com maiores restrições ao carro particular, no qual os espaços públicos e seus recursos sejam destinados prioritariamente às crianças, e não aos veículos motorizados”. O ex-Prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa.

Fonte: Aula São Paulo

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